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domingo, 20 de setembro de 2009

Do simbolismo do Leite

Lendo o livro sobre o Museu do Cairo da coleção da Folha de São Paulo, deparei-me na página 54 com este comentário que me fez lembrar de uma pessoa muito estimada...


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Maria Lactans (c.1630), por Guido Reni (1575-1642)


“Leite” é anagrama de “elite”.

Procurando entender o que certas circunstâncias podem significar.

Tudo tem o seu simbolismo e por isso fui ver nos meus dicionários favoritos qual a estrutura simbólica ligada à substância:

“LEITE Assim como a vaca, também o leite pertence às origens nos mitos cosmogônicos; segundo uma tradição indiana, o mundo era inicialmente um oceano láctico, do qual surgiram animais e seres humanos pela rotação do eixo terrestre. Como primeiro alimento do recém nascido, o leite em seu sentido significativo é ligado à água da vida. Antigos relevos egípcios mostram como o rei toma o leite no úbere da vaca celeste, i.e., adquire forças celestes. A associação de idéias leite-céu também é encontrada na palavra “via láctea” (gr. galaxias) e no antigo mito do leite derramado da divindade materna, no qual se baseia. Nos mistérios de Átis e Ísis, o copo de leite estendido ao iniciado simboliza o renascimento. Nos primórdios do cristianismo, o leite e o mel tinham o sentido de um medicamento da imortalidade (pharmakon athanasias). Em Ct 5,1 o leite no jardim do noivo celeste pertence à alimentação vital sobrenatural. Para os fiéis, “o leite manará das colinas” no final dos tempos (J1 4,18). Na Primeira Epístola de Pedro, o desejo por leite significa o desejo de salvação. Com base na glorificação dos seios de Maria (Lc 11,27), a Maria Galaktrophusa (gr. doadora de leite, lat. Maria lactans = Maria amamentadora) tornou-se motivo iconográfico difundido; representações barrocas mostram um jato de leite saindo do seu seio e caindo sobre um santo.[...]” Manfred Lurker, Dicionário de Simbologia, Martins Fontes, 1997, p.383-4

O Dicionário de Símbolos de Chevalier e Gheerbrant (p.543) acrescenta:

“(...)
A Vida primordial, e portanto eterna, e o Conhecimento supremo, e portanto potencial, são sempre aspectos simbólicos associados, ainda que não misturados. É bem o que sobressai das inúmeras citações ou referências que se poderiam reunir a respeito do leite.
(...)”

Leite (da cabra Amalteia) e mel (recolhido pela ninfa Melissa) também foram os alimentos do jovem Zeus refugiado no Monte Ida.


Em grego leite é gála (γάλα, 35) ou laktos (γάλακτος, 625) e em hebraico chalav (חלב, 40). Sonoridades semelhantes. E a raiz latina lact- parece vir da inversão.


sábado, 5 de setembro de 2009

Compilação de curiosidades sobre o nome “Juliana”

“Não é sem razão que se podem lembrar, a propósito do simbolismo, as primeiras palavras do Evangelho de São João: "No princípio era o Verbo." O Verbo, o Logos, é ao mesmo tempo Pensamento e Palavra: em si, Ele é o Intelecto divino, o "lugar dos possíveis". Em relação a nós, Ele se manifesta e se exprime pela Criação, na qual se realizam, na existência atual, alguns desses possíveis que, enquanto essências, estão contidos Nele desde toda a eternidade. A Criação é obra do Verbo. Ele é também, por isso mesmo, sua manifestação, sua afirmação exterior. Por isso, o mundo é como uma linguagem divina àqueles que sabem compreendê-la: Caeli enarrant gloriam Dei (Sl 19,2). Desse modo, o filósofo Berkeley estava certo ao afirmar que o mundo é "a linguagem que o Espírito infinito fala aos espíritos finitos", todavia, não tinha razão ao acreditar que essa linguagem é apenas um conjunto de sinais arbitrários, já que, na realidade, nada existe de arbitrário, mesmo na linguagem humana, onde toda significação deve ter na origem seu fundamento em alguma conveniência ou harmonia natural entre o signo e a coisa significada. Por ter Adão recebido de Deus o conhecimento da natureza de todos os seres vivos é que pôde dar-lhes os nomes (Gênesis 2, 19-20). Todas as tradições antigas concordam ao ensinar que o verdadeiro nome de um ser estabelece uma unidade com sua natureza ou com sua própria essência.” René Guénon, “O Verbo como Símbolo”

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Algumas pessoas aparecem aqui – como seria de se esperar! – buscando informações sobre a origem e o significado do nome “Juliana”. E até agora, ó paradoxo, encontravam apenas sobre “Melissa” e “Débora”. (Em breve talvez escreva alguma coisa sobre “Carolina”...Alguma sugestão de algum outro nome bonito e importante de mulher?)

Mas fui por isso pesquisar e colecionei algumas curiosidades que deixo aqui para todas as Julianas e julianófilos.

Juliana é o feminino de Juliano, nome de origem romana que significa algo como “pertencente ou relativo a Júlio”. E o Júlio em questão é o grande Júlio César.
Júlio, por sua vez, dizem ser o nome relativo a uma família romana, derivado de um filho de Enéias, Julus, que teria ascendência divina e estaria ligado a Júpiter e/ou a Vênus.

Se alguém conhece outras teorias e informações sobre estes nomes e quiser dizer, agradeço.

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Várias santas cristãs se chamavam Juliana. Duas de destaque são Santa Juliana da Nicomédia, mártir do séc. IV, e Juliana de Norwich, uma escritora e mística do século XIV.
À primeira é dedicado um poema em inglês antigo do misterioso poeta Cynewulf.

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Notei em janeiro que “Juliana” em hebraico, יוליאנה, tem o mesmo valor numérico (112) e é formado quase pelas mesmas letras que o nome divino composto IHVH Elohim. Nome poderoso, portanto.
Coloquei no meme do yahoo um gif animado ilustrando dinamicamente a relação.

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Outro dia apareceu alguém procurando como se escreve Juliana em grego. Se olhou ali no lado, talvez tenha conseguido deduzir que é Ιουλιάνα (veja-se, por exemplo, o artigo sobre Juliana de Holanda na wikipedia em grego). O valor numérico é 572.

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Juju é um apelido comum para Julianas. Juju é também uma palavra africana de origem francesa relacionada ao poder sobrenatural atribuído a certos objetos, um tipo de brinquedo mágico.

Para alguém fascinado por todos os tipos de magia real e pela importância secreta das palavras e dos nomes, como eu, isso também significa muito.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Duas palavras gregas antigas que perduram disfarçadas nas línguas modernas

Mencionei o Sol (Ήλιος, Hélios) há alguns dias. Notei depois esta curiosidade: escrevendo de trás para frente fica soile, evidentemente relacionado ao Sol latino, que permanece até hoje no português. No francês é ainda mais próximo, um quase anagrama mas com o acréscismo de um L (soleil).

Outra palavra moderna que quase certamente deriva do grego é a inglesa daughter (filha), que é muito semelhante à grega θυγάτηρ, thugáter.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Dois mistérios das letras gregas



No alfabeto grego, a letra theta, Θ, lembra o símbolo astrológico do Sol. E o valor do seu nome é 318, como o de Hélios (Sol).
Já o nome da letra grega eta, Η, vale 309 como o nome de Ares, o deus da guerra.
Então, Θ deve ter algo de solar e Η algo de marcial...

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Sobre o valor e o significado de Melissa (e Débora)

[Este singelo post é dedicado a uma das mais melífluas garotas-propaganda das sandálias Melissa e também a uma menina que foi minha colega no ginásio e no colegial, chamava-se Melissa e era uma das garotas mais bonitas da escola...]

Melissa (Mέλισσα) é um nome grego que significa abelha, símbolo da realeza pelo menos desde o tempo dos sumérios. Tem o valor numérico 486.

Segundo o Wolfram|Alpha, o nome atingiu o pico da popularidade nos EUA lá pelo final dos anos 70.

Na mitologia grega, Zeus criança, escondido no Monte Ida de seu Pai devorador, era alimentado pelo leite da cabra Amaltéia e por mel recolhido por uma ninfa chamada Melissa. Segundo uma tradição, Kronos (Saturno) puniu-a transformando-a num verme, mas Zeus (Júpiter) salvou-a e recompensou-a transformando-a numa abelha-rainha. (Deve haver algum sentido astrológico nessa história, mas não me ocorre o que seja.)

Melissas foram também sacerdotisas de Deméter e Ártemis.

Um nome hebraico que tem o mesmo significado é Débora (Devorah). Está etimologicamente ligado a davar, Verbo, Palavra, e vale 217.

“Pequena é a abelha entre os seres alados: o que produz, entretanto, é o que há de mais doce.” Eclesiástico 11:3

Se um dia eu for pai de gêmeas, acho que vou chamá-las Débora e Melissa.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Algumas palavras gregas relacionadas à beleza


[Este post é dedicado a uma linda, sensível e talentosa princesa que quer ser escritora e só não realizou seu sonho ainda, provavelmente, por preguiça ou injustificada insegurança.]

Como disse antes, parte considerável de quem aqui chega está procurando por palavras gregas. Mais algumas para a coleção então...

Três palavras do grego atual para beleza são kállos, horaioteta e homorphia.

Kállos era a palavra do grego clássico para beleza.

Horaioteta deriva de Hora e está associada à ideia de que a beleza das coisas, das mulheres em especial, aflora num momento certo.

Homorphia está associada à beleza como uma harmonia e proporção das formas.

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A musa da poesia épica era chamada Kalliope, a “de bela voz”.

Kallisto era uma ninfa de Ártemis. Seu nome parece vir de um epíteto da própria Ártemis, Kalliste, “a mais bela”.

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Quando Eris, a deusa da discórdia, não foi convidada para o casamento de Peleus e Thetis, ela enviou uma maçã dourada com a inscrição kallistēi (“para a mais bela”), provocando uma disputa entre Hera, Atena e Afrodite, decidida em favor desta última pelo príncipe de Tróia, Páris, em troca do amor da mais bela mulher, Helena. Só que Helena era mulher de Menelau e o prêmio desejado e alcançado acabou por provocar uma longa guerra e a destruição de Tróia.

sábado, 16 de maio de 2009

Sobre palavras gregas para Amor e Desejo

Notei que algumas pessoas se interessam por palavras gregas.

Mais quatro importantes:

Agapē. Amor altruísta e incondicional. Amor perfeito. Amor dos pais e o amor de Deus pela humanidade. 93

Philia. Amor fraterno, amizade. 551

Eros. Amor relacionado à paixão sexual. 1105

Thelema. Desejo de realizar alguma coisa, querer, vontade. 93

 

Que tipo de amor eu sinto por ela? 

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O conceito de Agapē é abordado na

I Epístola aos Coríntios, Capítulo XIII

“1. Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver Amor, sou como o bronze que soa, ou como o címbalo que retine.
2. Mesmo que eu tivesse o dom da profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência; mesmo que tivesse toda a fé, a ponto de transportar montanhas, se não tiver Amor, não sou nada.
3. Ainda que distribuísse todos os meus bens em sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, se não tiver Amor, de nada valeria!
4. O Amor é paciente, o Amor é bondoso. Não tem inveja. O Amor não é orgulhoso. Não é arrogante.
5. Nem escandaloso. Não busca os seus próprios interesses, não se irrita, não guarda rancor.
6. Não se alegra com a injustiça, mas se rejubila com a verdade.
7. Tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.
8. O Amor jamais acabará. As profecias desaparecerão, o dom das línguas cessará, o dom da ciência findará.
9. A nossa ciência é parcial, a nossa profecia é imperfeita.
10. Quando chegar o que é perfeito, o imperfeito desaparecerá.
11. Quando eu era criança, falava como criança, pensava como criança, raciocinava como criança. Desde que me tornei homem, eliminei as coisas de criança.
12. Hoje vemos como por um espelho, confusamente; mas então veremos face a face. Hoje conheço em parte; mas então conhecerei totalmente, como eu sou conhecido.
13. Por ora subsistem a Fé, a Esperança e o Amor - os três. Porém, o maior deles é o Amor.”

Capítulo treze, treze versículos. Fala sobre o Amor, que em hebraico é ahavá e vale 13.

Não terá significado?

E parece que ahavá tem a mesma sonoridade que agapē. 

9=ENNEA=111=aleph=1

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Nuvens feitas no wordle

Fonte do texto grego usado para fazer a nuvem abaixo: http://el.wikisource.org/wiki/Προς_Κορινθίους_Α'


quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Biblioteca

“A biblioteca é nossa reserva de saber, como um tesouro disponível. Nos sonhos, geralmente a biblioteca faz alusão aos conhecimentos intelectuais, ao saber livresco.
Entretanto, neles depara-se, às vezes, com um vetusto livro de magia, em geral a banhar-se na luz, que simboliza o conhecimento, no sentido pleno do termo, i.e., a experiência vivida e registrada.”
(Chevalier, Jean e Alain Gheerbrant. Dicionário de Símbolos: Mitos, Sonhos, Costumes, Gestos, Formas, Figuras, Cores, Números. Tradução de Vera da Costa e Silva, Raul de Sá Barbosa, Angela Melim e Lúcia Melim. 17a. edição. José Olympio Editora, 2001)

Biblioteca em grego é βιβλιοθήκη.

Meu nome de Deus favorito



O nome hebraico de Deus que eu mais gosto ou me identifico é Shaddai, que geralmente é combinado com El, na forma El Shaddai.
Shaddai é comumente traduzido como Todo-Poderoso, mas etimologicamente parece que ele significa algo como o Devastador, o Dominador.
O valor numérico do nome é 314, assim como o do anjo Metatron, que acredita-se estar a ele ligado.
314 é também o valor de palavras gregas que gosto muito: mágos (mago, que é anagrama de gámos, casamento) e bíblos (livro ou pergaminho de papiros), que é uma forma tradicional de transmissão do conhecimento e da sabedoria.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Por falar em riqueza, glória e poder...


Palavras associadas a Apocalipse 5:12

dýnamis – poder 705

ploûtos – riqueza 1150

sophía – sabedoria 781

iskhús – força física 1410

tîmé – honra 358

dóksa – glória 135

eulogía – louvor 519

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Quatro palavras gregas











theós - deus

dîos - celeste, divino

àgathós - bom

hagios - santo, sagrado

Quatro palavras, todas valem 284.

284 forma com 220 o primeiro par da seleta classe dos números amigos.