
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
Gatos

quarta-feira, 9 de setembro de 2009
9/9/9, Dante Alighieri, nove, 999.
“Io dico che, secondo l'usanza d'Arabia, l'anima sua nobilissima si partio ne la prima ora del nono giorno del mese; e secondo l'usanza di Siria, ella si partio nel nono mese de l'anno, però che lo primo mese è ivi Tisirin primo, lo quale a noi è Ottobre; e secondo l'usanza nostra, ella si partio in quello anno de la nostra indizione, cioè de li anni Domini, in cui lo perfetto numero nove volte era compiuto in quello centinaio nel quale in questo mondo ella fue posta, ed ella fue de li cristiani del terzodecimo centinaio. Perché questo numero fosse in tanto amico di lei, questa potrebbe essere una ragione: con ciò sia cosa che, secondo Tolomeo e secondo la cristiana veritade, nove siano li cieli che si muovono, e, secondo comune oppinione astrologa, li detti cieli adoperino qua giuso secondo la loro abitudine insieme, questo numero fue amico di lei per dare ad intendere che ne la sua generazione tutti e nove li mobili cieli perfettissimamente s'aveano insieme. Questa è una ragione di ciò; ma più sottilmente pensando, e secondo la infallibile veritade, questo numero fue ella medesima; per similitudine dico, e ciò intendo così. Lo numero del tre è la radice del nove, però che, sanza numero altro alcuno, per se medesimo fa nove, sì come vedemo manifestamente che tre via tre fa nove. Dunque se lo tre è fattore per se medesimo del nove, e lo fattore per se medesimo de li miracoli è tre, cioè Padre e Figlio e Spirito Santo, li quali sono tre e uno, questa donna fue accompagnata da questo numero del nove a dare ad intendere ch'ella era uno nove, cioè uno miracolo, la cui radice, cioè del miracolo, è solamente la mirabile Trinitade. Forse ancora per più sottile persona si vederebbe in ciò più sottile ragione; ma questa è quella ch'io ne veggio, e che più mi piace.” Dante Alighieri, La Vita Nuova XXIX [ou XXX ]
[Segundo o costume da Arábia, a sua alma nobilíssima partiu na primeira hora do nono dia do mês; segundo o costume da Síria, partiu no nono mês do ano, por isso que o primeiro mês é, ali, Tixirim, o qual, para nós, é outubro; e, segundo o nosso costume, partiu no ano de nossa indicção, isto é, dos Anni Domini em que o número perfeito (10) se manifestara nove vezes durante o centenário no qual ela foi posta neste mundo, e ela foi cristã do décimo terceiro. Poderia haver uma razão por que esse número lhe foi tão favorável: como seja fato que, segundo Ptolomeu e a verdade cristã, são nove os céus que se movem, e, segundo a comum opinião astrológica, os ditos céus exercem sua influência cá embaixo segundo a sua conjunção, esse número lhe foi favorável para fazer compreender que, ao ser ela gerada, todos os nove céus móveis se combinavam perfeitissimamente. Essa é uma das razões; mas pensando mais sutilmente, e segundo a verdade infalível, ela mesma foi esse número; falo por semelhança e assim o entendo. O número três é a raiz de nove, porque, sem nenhum outro, por si mesmo produz nove, como vemos manifestamente que três vezes três são nove. Se, pois, três é por si mesmo fator de nove, e o fator dos milagres é, por si mesmo, três, isto é, Pai, Filho e Espírito Santo, os quais são três em um, essa mulher foi acompanhada por esse número nove para fazer compreender que ela era um nove, isto é, um milagre, cuja raiz, isto é, a do milagre, é somente a miraculosa Trindade. Pessoa mais sutil talvez encontrasse ainda mais sutil razão; essa é, porém, a que vejo e que mais me satisfaz.]
{Vida Nova, XXIX, trad. Paulo M Oliveira e Blasio Demétrio, em Os Pensadores: Tomás de Aquino, Dante, Duns Scot, Ockham, Abril Cultural, 1979, p. 179}
sábado, 5 de setembro de 2009
Compilação de curiosidades sobre o nome “Juliana”
“Não é sem razão que se podem lembrar, a propósito do simbolismo, as primeiras palavras do Evangelho de São João: "No princípio era o Verbo." O Verbo, o Logos, é ao mesmo tempo Pensamento e Palavra: em si, Ele é o Intelecto divino, o "lugar dos possíveis". Em relação a nós, Ele se manifesta e se exprime pela Criação, na qual se realizam, na existência atual, alguns desses possíveis que, enquanto essências, estão contidos Nele desde toda a eternidade. A Criação é obra do Verbo. Ele é também, por isso mesmo, sua manifestação, sua afirmação exterior. Por isso, o mundo é como uma linguagem divina àqueles que sabem compreendê-la: Caeli enarrant gloriam Dei (Sl 19,2). Desse modo, o filósofo Berkeley estava certo ao afirmar que o mundo é "a linguagem que o Espírito infinito fala aos espíritos finitos", todavia, não tinha razão ao acreditar que essa linguagem é apenas um conjunto de sinais arbitrários, já que, na realidade, nada existe de arbitrário, mesmo na linguagem humana, onde toda significação deve ter na origem seu fundamento em alguma conveniência ou harmonia natural entre o signo e a coisa significada. Por ter Adão recebido de Deus o conhecimento da natureza de todos os seres vivos é que pôde dar-lhes os nomes (Gênesis 2, 19-20). Todas as tradições antigas concordam ao ensinar que o verdadeiro nome de um ser estabelece uma unidade com sua natureza ou com sua própria essência.” René Guénon, “O Verbo como Símbolo”
quarta-feira, 12 de agosto de 2009
Alef Mem Shin
“(...) Em termos elementares, Mem, Shin, Alef representam tese, antítese e síntese.A analogia é a de uma balança. Há um prato de mérito e um prato de responsabilidade. Parece-se muito à balança empregada para pesar os méritos e pecados de alguém, mencionada no Talmud. No centro estão o fulcro e o fiel, ambos representados por Alef, que é a “língua do decreto”.Estas letras também podem ser usadas em aplicações práticas. Se alguém deseja criar uma situação na qual ele mesmo ou outra pessoa tem que ficar do lado do mérito, pode fazê-lo utilizando a letra Mem (מ). (...)Do mesmo modo, se alguém deseja pôr um inimigo do lado da responsabilidade, de modo que seja julgado severamente nas alturas, pode utilizar a letra Shin (ש). Alef (א) é usada para que uma pessoa seja julgada equitativa e imparcialmente.Estas qualidades também entram em jogo no uso popular. O zumbido que se faz ao pronunciar a letra Mem é comumente visto como alegria, prazer, atividade positiva. Reciprocamente, alguém chia para um vilão ou inimigo pronunciando a letra Shin.” Arieh Kaplan, Sêfer Ietsirá, p.122-3.
domingo, 19 de julho de 2009
A semana planetária e tempos propícios segundo os cabalistas
“Há um mandamento que diz: “Não se achará entre vós...quem calcula tempo (Meonen)” (Deuteronômio 18:10). No Talmud, segundo Rabi Akiva, esta proibição aplica-se especificamente àqueles que calculam tempos auspiciosos, e muitas autoridades aceitam esta opinião como consistente. Entretanto, esta frase unicamente significa que não se deve fazer da astrologia uma influência dominante na própria vida. Como se deduz de todos os comentários ao Sêfer Ietsirá, quando alguém está engajado nestas técnicas místicas esta proibição não é aplicável. Ver Tabela 37Tabela 37. Conceitos e tempos favoráveis (de acordo com o Gra)SabedoriaBet. Lua, olho direito, Chéssed, sul, branco;Sábado à noite, 19-20h., 02-03h; Domingo 09-10h e 16-17hRiqueza, AmorGuímel, Marte, ouvido direito, Guevurá, norte, vermelho;Domingo á noite, 19-20h., 02-03h; Segunda-feira, 09-10h e 16-17h.Semente: filhos e coisas relativas a issoDalet, Sol, narina direita, Tiféret, leste, amarelo;Segunda-feira à noite, meia-noite-01h; Terça-feira, 07-08h e 14-15h.Vida. SaúdeCaf, Vênus, olho esquerdo, Nêtsach, acima, pálpebra superior;Terça-feira à noite, 22-23h, 05-06h; Quarta-feira, meio-dia 01h.Domínio, AvançoPê, Mercúrio, olho esquerdo, Hod, abaixo, pálpebra inferior;Quarta-feira noite, 20-21h, 03-04h; Quinta-feira, 10-11h e 17-18hPaz, interna e externaResh, Saturno, narina esquerda, Iessód, oeste, negro;Quinta-feira à noite, 19-20h, 02-03h; Sexta-feira, 09-10h e 16-17h.Graça, atração, melhoramento da personalidadeTav, Júpiter, boca, Malchut, centro do ser (si mesmo), azul;Sexta-feira à noite; meia-noite-01h; Sábado, 07-08h e 14-15h.Tome cuidado para não violar o Shabat.”(Aryeh Kaplan, Sêfer Ietsirá, p. 206)
quarta-feira, 8 de julho de 2009
Anotações sobre Madonna e a Cabala
Madonna Campori, Antonio da Correggio (1489-1534)
9. Nulla est sciencia, que nos magis certificet de divinitate Cristi, quam magia et cabala.(Nenhuma ciência nos certifica mais da divindade de Cristo do que a magia e a cabala)
“A Cabala não proíbe realmente as mulheres de estudá-la, apenas não as encoraja. Assim como outras pessoas, Madonna também estuda a Cabala. Não existe uma “inquisição” que determina “isto é certo ou errado”. Um rabino cabalista talvez dissesse isto é terrível, errado. Eu não me preocupo. Vejo as coisas como elas são, tentando não julgá-las. Também não posso dizer , com certeza, que Madonna seja superficial. Quem sabe ela possa trazer alguma contribuição totalmente original à Cabala, com ângulos novos.”
“'Deus também fez um oposto ao outro'(Eclesiastes 7:14) O bem oposto ao mal, o mal oposto ao bem. O bem vem do bom, o mal vem do mau. O bem define o mal e o mal define o bem. O bem é guardado para os bons e o mal é guardado para os maus.”
quarta-feira, 10 de junho de 2009
Sobre o valor e o significado de Melissa (e Débora)
Melissa (Mέλισσα) é um nome grego que significa abelha, símbolo da realeza pelo menos desde o tempo dos sumérios. Tem o valor numérico 486.
Segundo o Wolfram|Alpha, o nome atingiu o pico da popularidade nos EUA lá pelo final dos anos 70.
Na mitologia grega, Zeus criança, escondido no Monte Ida de seu Pai devorador, era alimentado pelo leite da cabra Amaltéia e por mel recolhido por uma ninfa chamada Melissa. Segundo uma tradição, Kronos (Saturno) puniu-a transformando-a num verme, mas Zeus (Júpiter) salvou-a e recompensou-a transformando-a numa abelha-rainha. (Deve haver algum sentido astrológico nessa história, mas não me ocorre o que seja.)
Melissas foram também sacerdotisas de Deméter e Ártemis.
Um nome hebraico que tem o mesmo significado é Débora (Devorah). Está etimologicamente ligado a davar, Verbo, Palavra, e vale 217.
“Pequena é a abelha entre os seres alados: o que produz, entretanto, é o que há de mais doce.” Eclesiástico 11:3
Se um dia eu for pai de gêmeas, acho que vou chamá-las Débora e Melissa.
quarta-feira, 28 de janeiro de 2009
Meu nome de Deus favorito

O nome hebraico de Deus que eu mais gosto ou me identifico é Shaddai, que geralmente é combinado com El, na forma El Shaddai.
Shaddai é comumente traduzido como Todo-Poderoso, mas etimologicamente parece que ele significa algo como o Devastador, o Dominador.
O valor numérico do nome é 314, assim como o do anjo Metatron, que acredita-se estar a ele ligado.
314 é também o valor de palavras gregas que gosto muito: mágos (mago, que é anagrama de gámos, casamento) e bíblos (livro ou pergaminho de papiros), que é uma forma tradicional de transmissão do conhecimento e da sabedoria.
sábado, 24 de janeiro de 2009
Considerações cabalísticas sobre o nome “Juliana”

Percebi isto aqui ontem e achei fantástico.
Acredito que uma maneira de passar o nome “Juliana” para o hebraico é assim: iod-vau-lamed-iod-alef-nun-he.
Por analogia com o nome do imperador Julianus, para o qual há um artigo na versão da wikipedia em hebraico (retira-se o “us”, vau-samec, e coloca-se como terminação a letra he, comum em nomes femininos como Sara(h), Débora(h),...). Assim, um valor numérico associado ao nome Juliana é 112.
Deus tem muitos nomes em hebraico. Talvez o principal seja o Tetragrama que é a contração dos três tempos do verbo ser, IHVH (iod-he-vau-he). Outro muito importante, que aparece logo no primeiro versículo do Gênesis, é Elohim.
Às vezes os dois nomes aparecem combinados (IHVH Elohim; e.g. Gênesis 2:4 e seguintes).
Segundo alguns estudiosos, o primeiro nome enfatiza o aspecto de misericórdia de Deus e o segundo o de justiça. Com a combinação dos dois há equilíbrio entre misericórdia e justiça.
O valor numérico do nome IHVH é 26 e o de Elohim é 86.
26+86=112
Os nomes em hebraico de Juliana e IHVH Elohim são compostos pelas mesmas letras, exceto pela letra nun que se desdobra numa mem e duas hes no nome divino.
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sexta-feira, 23 de janeiro de 2009
Charada cabalística num texto de Guimarães Rosa

“O que é, o que é: que é melhor do que Deus, pior do que o diabo, que a gente morta come, e se a gente viva comer morre?”
(Guimarães Rosa, “Aletria e hermenêutica”, em Tutaméia)
quarta-feira, 21 de janeiro de 2009
Duas citações de Gershom Scholem
“As formas particulares do pensamento simbólico em que a atitude fundamental da Cabala encontrou sua expressão podem significar pouco ou nada para nós (embora mesmo hoje nos seja por vezes difícil escapar à sua poderosa atração). Mas a tentativa de descobrir a vida oculta sob as formas externas da realidade e tornar visível aquele abismo em que se revela a natureza simbólica de tudo o que existe: esta tentativa é para nós tão importante hoje como o foi para os místicos antigos. Pois, enquanto a natureza e o homem forem concebidos como Suas criações, e tal é a condição indispensável para uma vida religiosa altamente desenvolvida, a investigação da vida oculta do elemento transcendente nesta criação constituirá sempre uma das preocupações mais importantes do espírito humano.” Gershom Scholem, Grandes Correntes da Mística Judaica, p. 38
“Os hassidim consideraram, segundo parece, a magia efetuada pela aplicação das instruções encontradas, ou supostamente encontradas, no Sefer Ietzirá, como uma faculdade natural de que o homem é dotado dentro de certos limites. A Criação mesma, segundo este ponto de vista, é mágica, de ponta a ponta: todas as coisas nela vivem em virtude dos nomes secretos que nelas habitam. Desta forma, o conhecimento mágico não é uma perversão, mas um conhecimento puro e sagrado que pertence ao homem enquanto imagem de Deus.” Gershom Scholem, A Cabala e seu Simbolismo, p. 208



