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sexta-feira, 2 de outubro de 2009

A beleza proverbial das mulheres gregas: Helena, Thaís e Laís

Afrodite, Helena, Eros e Menelau (Museu do Louvre)

Três nomes de mulher ligados a personagens do mundo grego antigo ainda muito populares hoje em dia são “Helena”, “Thaís” e “Laís”.

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Helena (Helen, Ellen, Ἑλένη) pertence principalmente ao domínio do mito e da lenda.

Filha de Zeus e Leda, a predileção de Páris pela beleza dela em detrimento dos prêmios oferecidos por Hera e Atena acabou sendo, possivelmente, a causa final da destruição de Tróia. Mas depois de toda a confusão, ela é vista feliz em Esparta na Odisseia.

As etimologias que me parecem mais razoáveis para o nome ligam-no à Lua (Σελήνη) ou ao vocábulo ἐλένη (tocha). Tem o valor numérico 98.

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A hetaira de grande beleza Thaïs (Θαΐς) foi uma personagem histórica do tempo de Alexandre o Grande. O seu feito mais memorável parece ter sido convencer Alexandre a queimar o palácio de Persépolis, talvez em vingança ao incêndio do templo de Atena por Xerxes.

O nome significa “bandagem”, “atadura” (algo que envolve...) e tem o valor numérico 220.

220 é um número muito interessante. É amigo de 284 e tem todo um simbolismo mágico ligado a ele. O meio assustador Liber Legis dos thelemitas tem 220 versículos e é chamado alternativamente Liber CCXX.
220 é também o número do meu nome favorito de Deus, Shaddai, quando transliterado para o grego, Σαδδαΐ.

Essa Thaís arquetípica inspirou muitas personagens literárias e houve também uma Santa Thaís que foi, segundo a lenda, uma cortesã arrependida que se tornou santa cristã.

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Helena e Thaís mostram que às vezes a beleza sedutora das mulheres é um dos motores da História.

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Laís (Λαΐς) foi o nome de duas cortesãs famosas da Grécia antiga, Laís de Corinto e Laís de Hyccara, cujas histórias muitas vezes se confundem.

Laís de Corinto floresceu na época da Guerra do Peloponeso e era tida como a mulher mais bonita de seu tempo.

A mais jovem, Laís de Hyccara, foi contemporânea e rival de outra hetaira de renome, Phryne (Φρύνη) e teria acabado de modo trágico na Tessália.

Fernando Pessoa traduziu de uma Antologia Grega em inglês de W.R.Paton esta poesia atribuída a Platão e dedicada a uma Laís:

“Eu, cuja beleza altiva sorriu-se da Grécia,
Laís, a cuja porta eram enxame os amantes,
O espelho em que me via, hoje a Afrodite dedico
Não quero ver-me qual sou, não posso ver-me qual fui.”

Acho que a decadência provocada pelo Tempo é mais dolorosa para as mulheres extraordinariamente bonitas.

O valor numérico de Λαΐς é 241.


sábado, 25 de julho de 2009

Luz

A luz, na verdade,
e tudo que importa,
é onda e partícula.

domingo, 7 de junho de 2009

Mário Ferreira dos Santos sobre o poder mágico dos números

“Observou Pitágoras, estudando a harmonia, que obedecidas certas relações, ela se verificava. Essas relações constituem os chamados “números de ouro”, de um papel importante em todas as artes e em seus períodos superiores.
Dessa forma, é a harmonia o ideal máximo dos pitagóricos, a qual consiste em ajustar os elementos diversos da natureza.
O arithmós é também harmonia.
Verificou ele, ademais, que certas combinações, obedientes a certos números, e em certas circunstâncias, são mais valiosas do que outras.
Dessa forma, os números são também valores, porque nos revelam valores, por possuírem eles, quando realizados, um poder capaz de efetuar algo benéfico ou maléfico.
Como os valores tanto podem ser positivos como negativos, e como, através dos números, realizamos e atualizamos poderes, os números são também mágicos. A palavra magia encerra sempre a idéia de um poder maior que se pode despertar.”
Mário Ferreira dos Santos (1907-1968), Pitágoras e o Tema do Número, p. 113-114

sábado, 30 de maio de 2009

O presente é grande e o futuro está carregado do passado

A filosofia de Leibniz prenuncia a ideia de Universo Holográfico:

“(...)Essas pequenas percepções, devido às suas conseqüências, são por conseguinte mais eficazes do que se pensa. São elas que formam este não sei quê, esses gostos, essas imagens das qualidades dos sentidos, claras no conjunto, porém, confusas nas suas partes individuais, essas impressões que os corpos circunstantes produzem em nós, que envolvem o infinito, esta ligação que cada ser possui com todo o resto do universo. Pode-se até dizer que, em conseqüência dessas pequenas percepções, o presente é grande e o futuro está carregado do passado, que tudo é convergente (sympnoia pánta, como dizia Hipócrates), e que, na mais insignificante das substâncias, olhos penetrantes como os de Deus poderiam ler todo o desenrolar presente e futuro das coisas que compõem o universo.
Quae sint, quae furint, quae mox futura trahantur. 
[Virgílio, Georg., IV.393: “Que são, que foram, e que sobrevirão no futuro”.] (...)”
Gottfried Wilhelm Leibniz, Novos Ensaios sobre o Entendimento Humano, trad. de Luiz João Baraúna, em Os Pensadores, Nova Cultural, 1996, p.27-8

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Algumas palavras gregas relacionadas à beleza


[Este post é dedicado a uma linda, sensível e talentosa princesa que quer ser escritora e só não realizou seu sonho ainda, provavelmente, por preguiça ou injustificada insegurança.]

Como disse antes, parte considerável de quem aqui chega está procurando por palavras gregas. Mais algumas para a coleção então...

Três palavras do grego atual para beleza são kállos, horaioteta e homorphia.

Kállos era a palavra do grego clássico para beleza.

Horaioteta deriva de Hora e está associada à ideia de que a beleza das coisas, das mulheres em especial, aflora num momento certo.

Homorphia está associada à beleza como uma harmonia e proporção das formas.

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A musa da poesia épica era chamada Kalliope, a “de bela voz”.

Kallisto era uma ninfa de Ártemis. Seu nome parece vir de um epíteto da própria Ártemis, Kalliste, “a mais bela”.

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Quando Eris, a deusa da discórdia, não foi convidada para o casamento de Peleus e Thetis, ela enviou uma maçã dourada com a inscrição kallistēi (“para a mais bela”), provocando uma disputa entre Hera, Atena e Afrodite, decidida em favor desta última pelo príncipe de Tróia, Páris, em troca do amor da mais bela mulher, Helena. Só que Helena era mulher de Menelau e o prêmio desejado e alcançado acabou por provocar uma longa guerra e a destruição de Tróia.

quinta-feira, 12 de março de 2009

The Nazz



“Seres humanos são enormes depósitos de energia, imensos reservatórios de força, a força vital, determinada a subjugar a matéria.” Colin Wilson

“Desejo de poder. Não há outra força física, dinâmica ou psíquica exceto esta. A essência mais íntima do ser é o desejo de poder. Prazer é cada aumento de poder. Desprazer é cada sentimento de ser incapaz de dominar.” Nietzsche

“Dissolva as modificações da mente e um poder infinito vai se desencadear em você.” Patanjali

Outra HQ que daria um belo filme é The Nazz (1990), de Tom Veitch e Bryan Talbot. Foi publicada pela editora Abril em 1992.

Acho que Veitch, que além de quadrinhista é escritor e poeta, não tem muitas HQs de destaque. A única outra dele que lembro já ter lido é A Guerra de Luz e Trevas, que é bastante inferior a esta The Nazz. Veitch também já escreveu HQs para o universo de Star Wars.

The Nazz é um Watchmen com explicação mística para os superpoderes do “super-homem”. (No caso de Watchmen, o único verdadeiro super-homem é o Dr. Manhattan, que tem origem num acidente de ficção científica).

Michael Nazareth, um escritor com nietzschiana sede de poder, vai ao Oriente e passa por um processo sanguinário de ascese. Quando volta, tendo adquirido poderes quase ilimitados, forma uma seita e acaba se tornando uma espécie de Anticristo cruel e obeso que almeja destruir o mundo...

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Carta de Alexandre a Aristóteles citada por Plutarco

"Alexandre a Aristóteles, saúde. — "Não fizeste bem em publicar teus livros de ciências especulativas, porque não teremos nada acima dos outros se o que nos ensinaste em segredo é publicado e comunicado a todos. Desejo que saibas que eu preferiria superar os outros no conhecimento das coisas elevadas e sublimes, e não em poder. Adeus".