domingo, 25 de outubro de 2009

Tatian* e Sirius Alpha Beta


TATIANA, TATIANE e TATIANI são nomes interessantes porque podem ser escritos com as mesmas letras maiúsculas em português e em grego (T=tau, A=alfa, I=iota, N=nu, E=epsilon). Tipo IBM e NOKIA.

Os valores numéricos são, respectivamente, 663, 667 e 672.

Tatiana é o feminino de Tatianus, relativo ao clã romano Tatius, remontando ao rei sabino Titus Tatius e aos primeiros tempos de Roma.

Tatiane e Tatiani (provavelmente) são variantes de Tatiana.

[Dedico este post a uma conhecida de ascendência judaica chamada Tatiana. Ela é doutora em Ciência Ambiental e deve ser uma das pessoas mais inteligentes e/ou instruídas que conheci na vida... E também à espirituosa Tatiani ultrataurina que sigo no Twitter...]

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O número 667 é especialmente importante. No Cristianismo é associado à Virgem Maria (Παρθένος Μαρία, 515+152). E na tradição mágico-religiosa de Aleister Crowley, que é ou pelo menos parece ser a antítese do Cristianismo, é o número da Mulher Escarlate, η Κόκκινη Γυνή, a shakti da Besta na qual “todo poder é dado” (Liber Legis I:15; Alan Moore observa a coincidência numérica, se bem me lembro, num capítulo de Promethea).

Acho que 666 e 667 podem ter relação também com a importante estrela Sirius, a mais brilhante do céu noturno.

Em grego, Ο Σείριος vale 665. (Assim, com o artigo na frente, significando “o (astro) brilhante” ou “o abrasador”, a sonoridade lembra também o deus egípcio Osíris, Όσιρις).

Era uma estrela que tinha muita importância na ritualística do antigo Egito, possivelmente ainda viva em sociedades mais ou menos secretas como a Maçonaria.

Mas hoje sabe-se que é (pelo menos) uma estrela dupla. Há Sirius A e Sirius B. 666 e 667 então...

Tem ligação com caninos em muitas culturas. Na mitologia grega seriam os cães caçadores de Órion que foram elevados ao céu por Zeus. Uma de suas designações modernas é α Canis Majoris (α CMa).

Num texto sobre o chamado “fenômeno 23”, um conjunto de sincronicidades significativo para algumas pessoas, o agnóstico generalizado Robert Anton Wilson menciona sua suposta conexão (e de Crowley) com “inteligências” de Sirius.

Na Astrologia, Sirius parece ser tida como estrela fixa de influência predominantemente benéfica, jovial e marcial, mas que pode trazer perigos pela impetuosidade infundida àqueles que por ela são afetados.

Há também uma interminável controvérsia sobre um pretenso conhecimento profundo do funcionamento do sistema de Sirius na mitologia tradicional da tribo africana dos Dogon (é curioso que uma tribo ligada à estrela-cão tenha esse nome...)

No Alcorão a estrela é mencionada:
“É Ele que dá a riqueza e o contentamento
É o senhor do astro Sírio.”
(Alcorão 53:48-49, trad. Mansour Challita)
Creio que há alguma coisa importante nisso tudo. Mas não sei bem o que pode ser...

Representação artística de Ο Σείριος A (666) e Ο Σείριος B (667)

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Gatos

Sempre achei que existe algum tipo de superioridade nas pessoas que têm afinidade, consciente ou inconsciente, com gatos.

Em grego antigo gato é αἴλουρος (ailuros; daí, ailurofilia ou elurofilia é a amizade por gatos), que vale 881 como ἄριστος (aristos, o melhor).
Em grego moderno é γαλή ou γάτα.

Em hebraico é chatul (חתול) e vale 444 (meio Messias ou 2/3 da Besta).

No Islã, o profeta Muhammad (que a Paz esteja com ele) tinha muita consideração por uma gatinha de estimação chamada Muezza.

No mundo budista, o gato e a serpente são censurados por não terem se comovido com a morte de Buda, o que de um ponto de vista mais profundo expressa a sabedoria desses animais (Chevalier e Gheerbrant, Dicionário de Símbolos, p. 462)

No Egito antigo, entre outras coisas, o gato era utilizado para representar o deus solar Rá esmagando a maléfica serpente Apep, simbolismo baseado num tipo de gato selvagem que mata serpentes a patadas.


Havia também a deusa felina Bast (ou Bastet).
No início da carreira da repórter da rede Globo Elaine Bast, eu achava que ela tinha um rosto meio felino...

Não achei nada referente ao papel benéfico e positivo dos gatos no Cristianismo, mas para mim é notável que o arqui-inimigo do cristão às vezes seja chamado de “Cão”.
E também, enquanto inimigos dos ratos (seres noturnos, sujos, pestilentos, que habitam fétidos mundos inferiores e, portanto, que podem simbolizar os demônios), os gatos podem simbolizar os anjos.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

A beleza proverbial das mulheres gregas: Helena, Thaís e Laís

Afrodite, Helena, Eros e Menelau (Museu do Louvre)

Três nomes de mulher ligados a personagens do mundo grego antigo ainda muito populares hoje em dia são “Helena”, “Thaís” e “Laís”.

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Helena (Helen, Ellen, Ἑλένη) pertence principalmente ao domínio do mito e da lenda.

Filha de Zeus e Leda, a predileção de Páris pela beleza dela em detrimento dos prêmios oferecidos por Hera e Atena acabou sendo, possivelmente, a causa final da destruição de Tróia. Mas depois de toda a confusão, ela é vista feliz em Esparta na Odisseia.

As etimologias que me parecem mais razoáveis para o nome ligam-no à Lua (Σελήνη) ou ao vocábulo ἐλένη (tocha). Tem o valor numérico 98.

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A hetaira de grande beleza Thaïs (Θαΐς) foi uma personagem histórica do tempo de Alexandre o Grande. O seu feito mais memorável parece ter sido convencer Alexandre a queimar o palácio de Persépolis, talvez em vingança ao incêndio do templo de Atena por Xerxes.

O nome significa “bandagem”, “atadura” (algo que envolve...) e tem o valor numérico 220.

220 é um número muito interessante. É amigo de 284 e tem todo um simbolismo mágico ligado a ele. O meio assustador Liber Legis dos thelemitas tem 220 versículos e é chamado alternativamente Liber CCXX.
220 é também o número do meu nome favorito de Deus, Shaddai, quando transliterado para o grego, Σαδδαΐ.

Essa Thaís arquetípica inspirou muitas personagens literárias e houve também uma Santa Thaís que foi, segundo a lenda, uma cortesã arrependida que se tornou santa cristã.

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Helena e Thaís mostram que às vezes a beleza sedutora das mulheres é um dos motores da História.

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Laís (Λαΐς) foi o nome de duas cortesãs famosas da Grécia antiga, Laís de Corinto e Laís de Hyccara, cujas histórias muitas vezes se confundem.

Laís de Corinto floresceu na época da Guerra do Peloponeso e era tida como a mulher mais bonita de seu tempo.

A mais jovem, Laís de Hyccara, foi contemporânea e rival de outra hetaira de renome, Phryne (Φρύνη) e teria acabado de modo trágico na Tessália.

Fernando Pessoa traduziu de uma Antologia Grega em inglês de W.R.Paton esta poesia atribuída a Platão e dedicada a uma Laís:

“Eu, cuja beleza altiva sorriu-se da Grécia,
Laís, a cuja porta eram enxame os amantes,
O espelho em que me via, hoje a Afrodite dedico
Não quero ver-me qual sou, não posso ver-me qual fui.”

Acho que a decadência provocada pelo Tempo é mais dolorosa para as mulheres extraordinariamente bonitas.

O valor numérico de Λαΐς é 241.